segunda-feira, 29 de junho de 2009

A festa...

Semana passada, tivemos uma festa junina no meu local de trabalho.
Tudo um pouco confuso, afinal, a festa só ocorreu por vontade e luta da coordenação...se dependesse da instituição não teríamos.
Vamos lá! Colaboração de todos. Alguns levaram pratos salgados, outros doces, outros refrigerante.
A festa estava montada!
Nas duas semanas que antecederam a festa, ensaiamos a quadrilha com as crianças. Não preciso nem dizer: confusão e diversão!
Em um primeiro momento, brincamos com as crianças em barracas montadas com direito a prenda e tudo mais! Depois fomos para outro salão onde os pais aguardavam ansiosamente a chegada de seus filhos.
A música rolando, nós entrando, pais chorando.
A felicidade que essa dança causou nos parentes é algo indiscritível. É um momento diferente para eles... verem seus filhos dançando, vestidos de caipiras.. nesse instante tudo é esquecido, o sorriso toma conta e a impolgação vêm! Próxima quadrilha: Pais e filhos!
Ah! Que coisa mais linda!

Todos sorriam, comiam, bebiam. É Festa Junina, salve São João!

domingo, 31 de maio de 2009

Como devemos agir?

Todos os dias me pergunto como devo agir a determinadas imposições institucionais.
Como disse em outro post, a expectativa das mães das crianças excepcionais com quem trabalho, são claras e evidentes. Mas, existe uma regra: Não fale com os pais. Porquê? Não sei dizer, nem nunca tentaram me explicar. O que fazer nessa hora? Burlar as normas e atender uma necessidade psicológica dos pais, ou agir confome foi institucionado? 
Prefiro a primeira opção. 
Não consigo me imaginar deixando de lado algo tão relevante e emergente.
Muitas vezes, uma boa conversa entre estagiários e pais pode resultar numa melhora crescente da criança. Faltam informações a essas pessoas que muitas vezes não sabem como agir. Tento ser direta e cuidadosa quando falo.
E a lição é que NUNCA devemos falar o que não sabemos. Mas quando o saber está dentro de nós, e pode causar um bem estar e uma progressiva melhora na relação e no desenvolvimento da criança, porque não?

domingo, 26 de abril de 2009

Intensidade e insanidade.

" Ah!!!! Não acredito" - diz ela.
Pergunto-lhe : " o que aconteceu?"
" Aquele muleque!!! Cortou uma mecha do meu cabelo!!! Ninguém põe limite nessas crianças."

É duro. Até onde temos controle sobre uma criança especial? Até onde podemos culpar as famílias dessas crianças, por falta de limites?
A dor de passar pelo que essas mães passam é algo inimaginável. Quando recebem o diagnóstico, perdem o chão, abrem mão de suas vidas pessoais, sociais e muitas vezes conjugais. É uma responsabilidade que vão, literalmente, ter até o seu último suspiro. Como julgar alguém que passa por tudo isso?
É preciso pensar na saúde mental dos cuidadores de crianças especiais. Não só os profissionais que lidam com eles todos os dias, e os auxiliam a aprender e evoluir, mas também (e principalmente) a família dessas crianças que se sentem em total desamparo. 
Quando a condição financeira está presente, é com certeza um agente facilitador. Quando não, as vezes a situação se complica mais ainda, pois a falta de informação correta dificulta que todo o processo seja elaborado. 
Como diria Winnicott, é necessário ter um ambiente facilitador para que tudo se dê da melhor forma possível.

E qual é a função do psicólogo nisso tudo? É necessário manter-se atento e informado para conseguir acompanhar os avanços da ciência. É necessário entender o contexto aonde essa criança está inserida.
Escutar é tão importante quanto intervir.
  

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O cansaço físico e mental.

Não é fácil. 
Acordo, vou para a faculdade onde me deparo com grandes conflitos e desconstrução dos pensamentos anteriormente construídos. É difícil abrir mão de conceitos há anos solidificados, para entrar em um mundo onde tudo é questionável. É difícil saber que tudo o que você aprende foi construído em cima de um ponto de vista, e na aula seguinte, ver a mesma situação por outro ponto de vista. Você tem que construir o seu próprio saber, baseado naquilo que você acredita. Mas pra isso, é necessário ser forte e persistente,  acreditar que você tem muito a contruibuir com aquilo que estuda. Mas... não é fácil.
Saio da faculdade, esquento minha marmita, almoço e começa a segunda parte da minha jornada diária. 
As 13h00 entro no trabalho. Dá um frio na barriga... Cada criança chega acompanhada de seus pais, que trazem um olhar carregado de expectativas e de esperanças, onde, na maioria das vezes, criamos força para mais um dia de trabalho pesado. Conforme o tempo passa, o corpo vai sentido o resultado do trabalho mental desenvolvido. O corpo fica pesado. 
A rotina é muito dinâmica. São 4 horas de total entrega à aquilo que fazemos. O apoio, dentro e fora de lá, é fundamental para que se siga neste caminho, que é percorrido todos os dias, também com expectativas pessoais, mas que quando confrontadas com o que há de teoria nesta prática, ficam totalmente infundadas. 
O cansaço físico, creio que provém do mental que, se não cuidado de forma correta, pode adoecer junto com o corpo. É necessário ficar atento em si mesmo, até para que no dia seguinte, você consiga começar tudo outra vez...

sábado, 18 de abril de 2009

A vida é assim...

Estudo psicologia há três anos, e tenho ciência de que estudarei pelo resto de minha vida.
Há tempos ia para a faculdade e depois voltava pra casa para dormir e ver televisão o dia inteiro. 
Precisava de algo novo. 
As coisas em casa já não estavam tão fáceis quanto pareciam. Quando somos crianças, achamos que tudo é tranquilo e que o trabalho dos pais rendiam o dinheiro suficiente. Quando nos damos conta, vemos que nada daquilo que pensávamos é real. 
Precisava de algo novo.
A teoria que aprendia na faculdade, fazia sentido. Mas e a prática?
Precisava de algo novo.
E arrumei. Comecei a trabalhar em uma Instituição, cujo nome não divulgarei, como estagiária de psicologia. É um local onde trabalho com crianças especiais. Quem trabalha ou já trabalhou com algo parecido passa a viver em um mundo paralelo também, onde se pensa, se respira, se locomove de formas especiais.  Os problemas da vida realmente não fazem mais sentido quando nos deparamos com esse tipo de situação. 
Me sinto as vezes como mãe, porque sei que elas precisam de mim, e um passo em falso, pode acabar com o trabalho de anos.
O trabalho é duro. Mas vale a pena. O salário é péssimo. Mas vale a pena. Tenho dificuldades para lidar com o meu cansaço físico e mental. Mas vale a pena. 

Vale a pena, quando olhamos a alegria em um olhar de uma mãe ao ver que o filho conseguiu superar mais uma etapa. A alegria de ouvir as crianças chamarem o seu nome, mesmo quando elas mal balbuciam uma palavra. Vale a pena porque escolhi a minha profissão para ajudar os outros, e agora, sinto que estou ajudando!

Contarei mais experiências.
Outro dia, outra hora. Acabei de chegar do meu outro emprego. O de final de semana. Amanhã, domingo....tem mais!