domingo, 26 de abril de 2009

Intensidade e insanidade.

" Ah!!!! Não acredito" - diz ela.
Pergunto-lhe : " o que aconteceu?"
" Aquele muleque!!! Cortou uma mecha do meu cabelo!!! Ninguém põe limite nessas crianças."

É duro. Até onde temos controle sobre uma criança especial? Até onde podemos culpar as famílias dessas crianças, por falta de limites?
A dor de passar pelo que essas mães passam é algo inimaginável. Quando recebem o diagnóstico, perdem o chão, abrem mão de suas vidas pessoais, sociais e muitas vezes conjugais. É uma responsabilidade que vão, literalmente, ter até o seu último suspiro. Como julgar alguém que passa por tudo isso?
É preciso pensar na saúde mental dos cuidadores de crianças especiais. Não só os profissionais que lidam com eles todos os dias, e os auxiliam a aprender e evoluir, mas também (e principalmente) a família dessas crianças que se sentem em total desamparo. 
Quando a condição financeira está presente, é com certeza um agente facilitador. Quando não, as vezes a situação se complica mais ainda, pois a falta de informação correta dificulta que todo o processo seja elaborado. 
Como diria Winnicott, é necessário ter um ambiente facilitador para que tudo se dê da melhor forma possível.

E qual é a função do psicólogo nisso tudo? É necessário manter-se atento e informado para conseguir acompanhar os avanços da ciência. É necessário entender o contexto aonde essa criança está inserida.
Escutar é tão importante quanto intervir.
  

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O cansaço físico e mental.

Não é fácil. 
Acordo, vou para a faculdade onde me deparo com grandes conflitos e desconstrução dos pensamentos anteriormente construídos. É difícil abrir mão de conceitos há anos solidificados, para entrar em um mundo onde tudo é questionável. É difícil saber que tudo o que você aprende foi construído em cima de um ponto de vista, e na aula seguinte, ver a mesma situação por outro ponto de vista. Você tem que construir o seu próprio saber, baseado naquilo que você acredita. Mas pra isso, é necessário ser forte e persistente,  acreditar que você tem muito a contruibuir com aquilo que estuda. Mas... não é fácil.
Saio da faculdade, esquento minha marmita, almoço e começa a segunda parte da minha jornada diária. 
As 13h00 entro no trabalho. Dá um frio na barriga... Cada criança chega acompanhada de seus pais, que trazem um olhar carregado de expectativas e de esperanças, onde, na maioria das vezes, criamos força para mais um dia de trabalho pesado. Conforme o tempo passa, o corpo vai sentido o resultado do trabalho mental desenvolvido. O corpo fica pesado. 
A rotina é muito dinâmica. São 4 horas de total entrega à aquilo que fazemos. O apoio, dentro e fora de lá, é fundamental para que se siga neste caminho, que é percorrido todos os dias, também com expectativas pessoais, mas que quando confrontadas com o que há de teoria nesta prática, ficam totalmente infundadas. 
O cansaço físico, creio que provém do mental que, se não cuidado de forma correta, pode adoecer junto com o corpo. É necessário ficar atento em si mesmo, até para que no dia seguinte, você consiga começar tudo outra vez...

sábado, 18 de abril de 2009

A vida é assim...

Estudo psicologia há três anos, e tenho ciência de que estudarei pelo resto de minha vida.
Há tempos ia para a faculdade e depois voltava pra casa para dormir e ver televisão o dia inteiro. 
Precisava de algo novo. 
As coisas em casa já não estavam tão fáceis quanto pareciam. Quando somos crianças, achamos que tudo é tranquilo e que o trabalho dos pais rendiam o dinheiro suficiente. Quando nos damos conta, vemos que nada daquilo que pensávamos é real. 
Precisava de algo novo.
A teoria que aprendia na faculdade, fazia sentido. Mas e a prática?
Precisava de algo novo.
E arrumei. Comecei a trabalhar em uma Instituição, cujo nome não divulgarei, como estagiária de psicologia. É um local onde trabalho com crianças especiais. Quem trabalha ou já trabalhou com algo parecido passa a viver em um mundo paralelo também, onde se pensa, se respira, se locomove de formas especiais.  Os problemas da vida realmente não fazem mais sentido quando nos deparamos com esse tipo de situação. 
Me sinto as vezes como mãe, porque sei que elas precisam de mim, e um passo em falso, pode acabar com o trabalho de anos.
O trabalho é duro. Mas vale a pena. O salário é péssimo. Mas vale a pena. Tenho dificuldades para lidar com o meu cansaço físico e mental. Mas vale a pena. 

Vale a pena, quando olhamos a alegria em um olhar de uma mãe ao ver que o filho conseguiu superar mais uma etapa. A alegria de ouvir as crianças chamarem o seu nome, mesmo quando elas mal balbuciam uma palavra. Vale a pena porque escolhi a minha profissão para ajudar os outros, e agora, sinto que estou ajudando!

Contarei mais experiências.
Outro dia, outra hora. Acabei de chegar do meu outro emprego. O de final de semana. Amanhã, domingo....tem mais!